«Contos sobre rodas» promove leitura e escrita

O projeto foi apresentado no dia da recepção aos docentes, no Parque de Campismo das Pedreiras.

No corrente ano letivo, a BECRE desenvolverá nas Escolas do 1º CEB e Jardins de Infância um projeto de promoção da leitura e da escrita denominado «Contos sobre rodas».
Tendo por base o kamishibai, uma técnica japonesa de contar histórias com imagens, o projeto desenrolar-se-á em quatro etapas:
1 – Apresentação do projeto e experimentação da técnica, a partir de uma sessão de contos;
2 – Construção de um butai (estrutura dentro da qual correm as folhas com as imagens);
3 – Criação de histórias (podendo estas enquadrar-se no tema do Projeto Educativo do AEPM, «Conhecer o Concelho»);
4 – Ilustração da(s) história(s), para apresentação do kamishibai.

Logótipo do projeto.

As sessões dinamizadas pelos professores bibliotecários, uma para cada etapa, decorrerão ao longo do 1º e do 2º períodos, duas em cada.
Os trabalhos produzidos poderão ser apresentados publicamente, no âmbito do Dia do Agrupamento, no início do 3º Período.
A primeira etapa iniciar-se-á no próximo dia 27 de Setembro, na Calvaria, realizando-se até meados de Novembro um total de 33 sessões, envolvendo todas as salas do Pré-Escolar e do 1º CEB do AEPM.

Modelo o «butai» a construir com os alunos.

O que é o kamishibai
O termo significa literalmente «teatro de papel». É constituído por uma estrutura em madeira (ou outro material) chamada «butai», dentro da qual correm folhas de cartão com as ilustrações da história, na frente, e o texto correspondente, no verso.
Vulgarmente, aponta-se como origem do «kamishibai» os «emaki», rolos de papel ou seda com narrativas ilustradas, surgidos no séc. VIII. No entanto, de acordo com a investigadora norte-americana Tara M. McGowan, a sua origem é (muito) mais recente.
Terá surgido da remistura de diversos dispositivos: os «emaki» japoneses, mas também a «lanterna mágica» e o teatro de papel ocidentais, atingindo a sua forma definitiva no início do século XX.
A crise mundial dos anos 30 e depois a guerra levaram a um aumento do desemprego no Japão. Para realizar algum dinheiro, muitos pais de família dedicaram-se a percorrer as ruas vendendo doces e contando histórias em kamishibais montados em bicicletas.
Durante os anos da guerra, esta técnica foi mesmo usada como meio de propaganda pelo governo japonês.

Um «kamishibaya gaito san», contador de histórias de rua japonês.

Até aos anos 50, a popularidade do kamishibai atingiu o seu apogeu, até surgir a televisão…
Embora quase desaparecendo das ruas, em 1952, o kamishibai foi declarado no Japão como «Tesouro Cultural da Infância» e o seu uso nas escolas e jardins de infância floresceu como nunca.
A partir dos anos 70, o kamishibai globalizou-se. É hoje reconhecido em todos os continentes como um importante recurso pedagógico e de comunicação. Paralelamente, continua a ser apresentado em ruas e praças, no âmbito de festivais e outros eventos culturais para todos os públicos.

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